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Desconstrução em “um dia de maio ou abril”, ou qualquer dia, ou todos os dias…

08/04/2010

Só sei que existem tempos em que vários tipos de pequenos grandes desmoronamentos acontecem diariamente, e nos levam a desabar com eles. Não vou falar em destruição das vontades, dos planos e das esperanças; é pior: é a desconstrução disso tudo. Conseguem perceber a diferença do engenho que a desconstrução traz com a sua lentidão e exímio cálculo? A destruição é arrasadora e deixa um vazio para a construção de algo novo. A desconstrução, não. Ela é cruel, ela tira pedaços exatos, vai deixando restos incompletos.

“Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente…
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça…
Um dia qualquer sem pensar,
Sentindo o futuro no ar
O ar carregado, sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma:
Por que nesta tarde tão calma
O tempo parece parado?”

Quem falou que um mundo só acaba quando devastado? Na verdade, ele pode se acabar “sem fogo, sem sangue, sem ais”…  “sem estrondo, mas com gemido”. Sem o estrondo da devastação, mas com a dura fineza da desconstrução. Ninguém percebe. O  fim de um mundo pode ser todo dia.

“Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro
Dos loucos que escrevem no muro
Das teias, do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto
A chama da guerra acesa
A fome sentada na mesa
O copo com álcool no bar
O anjo surgindo no mar
Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolos do Apocalipse
Os séculos de Nostradamus
A fuga geral dos ciganos
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia…

Um gosto azedo na boca
A moça que sonha, a louca
O homem que quer mas esquece
O mundo do dá ou do desce
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia

Sem fogo, sem sangue, sem ais
O mundo dos nossos ancestrais
Acaba sem guerra, os mortais
Sem glórias de mártir ferido
Sem estrondo mas com gemido…
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Um dia…”

[Os trechos entre aspas são da música As Profecias, do Raul Seixas. Perfeição… Principalmente em um dia como esse, um dia de abril, de chuva caindo na vidraça…]

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One Comment leave one →
  1. 09/04/2010 00:13

    Re! Tem palavras que ficam ecoando na minha cabeça quase todo dia, e uma delas é descontrução…
    e acho que vc mostrou muito bem aqui pq ela n sai da minha cabeça, e até msm da sua
    adorei os trechos tbm
    parabeeens
    =)

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