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De realidades, e sonhos, e enfrentamentos.

15/10/2009

Tenho 21 anos. Foi pouco antes de completar essa idade que Álvares de Azevedo faleceu. Ele morreu com quase 21 anos, e fez o suficiente para ser conhecido, reconhecido, estudado… e para que 157 anos depois de sua morte eu estivesse aqui falando sobre ele.  Eu já vivi 21 anos, e ainda não foi o suficiente para eu ser alguém tão alguém como ele. Mas cada um faz o que deve e pode e consegue fazer no tempo que lhe compete.

O Romantismo não é a vertente que mais me atrai, mas dos poetas românticos… sim, ele é o meu preferido, e pra ser sincera, parece até que eu o conheci. Talvez porque ele era jovem… épocas tão diferentes, mas que me fazem perceber que os jovens são jovens, em qualquer momento, em qualquer lugar. Era isso que eu sentia quando tinha meus 16 anos e lia esse poeta.

Ultimamente, tenho me deparado diversas vezes com a questão do que é ser fraco e do que é ser forte na vida. Pessoas se julgando tão fortes, e julgando outras tão fracas. Às vezes, fraqueza é coragem. Às vezes, é preciso mais força para dar um passo para trás do que para dar dois para frente. Talvez existam coragens e forças diferentes, e isso não quer dizer que uma espécie seja melhor que a outra. As piores batalhas são travadas em silêncio, então nunca se iludam com aparentes resignações ou estagnações, porque isso não diz nada sobre o que uma pessoa é, ou sobre o que ela vai alcançar no final. Nada disso diz se uma pessoa é fraca ou forte, se ela é madura ou imatura. Imaturidade é alguém pensar que já é maduro o suficiente para julgar a maturidade do outro, sendo que ela é relativa, relativa ao tempo, aos sonhos, à vida que cada um leva.

Como eu disse, certas questões são atemporais. Álvares de Azevedo foi julgado muitas vezes como um jovem fraco e entregue aos sonhos, sem força de caráter para viver de verdade, e quem diz isso se apropriou da vida de alguém que nem conheceu, uma apropriação de leitor, apenas. Julgado tão fraco, mas hoje em dia, vejam só, tão respeitado! Será que não somos condenados às vezes pelo mesmo motivo? No livro de literatura que usei para cursar o Ensino Médio, o autor escreveu um trecho sobre o Álvares… uma colocação tão bem feita e tão bonita, que eu penso que deveria ser algo aplicado muitas vezes a qualquer pessoa, mesmo que não tenha sido poeta, sonhado, ou amado na vida: 

“Os alvos são imaginários. Nosso poeta não se entrega ao real. Tem medo de viver. Seu sonho adolescente, porém é mais real que a realidade. Tal superposição foi vista como uma grande fraqueza, com um temor das situações reais. Mas o fato é que esse jovem enfrentou a realidade até demais, e com as armas de seu próprio sonho.”

 Enfrentemos todos as nossas próprias realidades, todos os dias, e com as armas de nossos próprios sonhos. Isso porque o sem importância e simples de um, pode ser o que mantém a vida de outro. O que um faz até de olhos fechados, pode ser a luta cotidiana do outro. Uma mesma realidade se desdobra em realidades diferentes para pessoas diferentes, então não julguemos as realidades, nem as armas, nem os alvos, nem os sonhos, e nem o tempo de cada um. Isso se chama viver. Ou melhor, con-viver. Ser um ser humano, de vez em quando, só de vez em quando, significa, sim, ser um humano. E cada um é ao seu modo. Alguém saberá dizer mesmo qual é o modo certo ou errado?

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4 Comentários leave one →
  1. 15/10/2009 17:19

    RE… CHOREEEEI RSRS MTO BOM……… (L)

  2. 15/10/2009 19:10

    Reeee…

    Tb não sabia que vc tem um blog… Bom saber…
    O eu existe há muito tempo mas o problema é que eu deixei ele muito tempo às moscas…

    Mas a partir de agora, vou voltar a escrever… Talvez seja um refúgio pros meus problemas neh… rs…

    Tb adorei esse seu texto… Algumas palavras me fizeram pensar bastante sobre muita coisa…

    To com saudades de vc irmãzinha…

    Bejobejo

  3. 16/10/2009 01:31

    Hmmmm… agora que vi seu novo post também! Não poderia ter escolhido tema melhor né?! Tbm considero Álvarez de Azevedo o mais interessante debtre os românticos, por diversas dessas peculiaridades que vc citou ai.
    Gostei mto do texto, mto bem escrito hehehe! Suspeito.. pra qm faz letras! uhahuahuahuaha mas adorei certas frases, como esta: “Imaturidade é alguém pensar que já é maduro o suficiente para julgar a maturidade do outro, sendo que ela é relativa, relativa ao tempo, aos sonhos, à vida que cada um leva.”
    É a mais pura verdade msm!
    Tudo que vc escreveu aí me fez ficar pensando.. e pensando.. e pensando… textos bons fazem isso com a gente!

    Beijinhooos Rê!!!! =D
    Continue escrevendo sempre, A gente sempre aqui, nessa troca de Blog’s e twitter’s!

  4. Maria Goretti Dias Lopes Paiva permalink
    20/12/2009 17:54

    Renata, parabéns! Li o seu texto aqui na casa da Goretti. É maravilhoso! Deus abençoe você. Que você continue assim sempre maravilhosa!
    Vocó Conceição.

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