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Do seu pai, com amor

14/08/2011

Em um Dia dos Pais, as pessoas costumam fazer uma homenagem ao seu pai, mas eu farei o oposto. Eu mostrarei uma homenagem do meu pai, feita a mim. Ao invés de escrever algo para ele, vou mostrar algo que ele escreveu para mim, assim mostrarei o quanto ele faz eu me sentir especial na vida dele, e isso porque ele é especial também. Eu não teria palavras para mostrar como ele faz eu me sentir,  então a minha homenagem será fazer com que os outros vejam o quanto ele faz com que eu me sinta a maior homenagem que ele já fez ao mundo.

 

Eu encontrei algo, mas tem muito mais…

Se eu não conseguir chegar até esse mais, que é-xiste,

confio em você para buscá-lo.

 

Renascer é bom!…

Ser, é bom…!

Existir é melhor.

 

Fique, não vá, volte o quanto necessário for.

Volte, quantas vezes quiser.

 

Viva, eternamente, em quantos eternos quiser.

 

Tens o poder do olhar, o poder do sorriso, o poder da vida.

Vida, vivida, nascida ou renascida,

és Renata, vida, vivida,

nascida ou renascida.

 

Do seu pai, com amor.

 

Da sua filha, com amor.

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♪ É, meu amigo Charlie Brown…

03/06/2011

 

Em prosa e verso

14/04/2011

Para enxergar minhas rimas,
minhas figuras de linguagem profunda,
a sutileza de minhas metáforas corporais,
você não precisaria me anotar em poesia;
notá-la,
já seria o suficiente.

Impossível… quando se está tão ocupado
em achar que abuso das palavras.
São sempre muitas.
São sempre a mais.
Acha que meus pensamentos romanceiam em linhas infinitas –
páginas de quinhentas páginas.
Não as lê até o fim,
te cansam.

Por quê tanto? Porque mulher…
Essa raça têm visão caleidoscópica.
Por isso tantas linhas transversais,
tantos modos, tanto dizer, tanto enxergar;
por isso tantas palavras para tantos ângulos.
Por isso as linhas infinitas no pensamento,
a visão em páginas de quinhentas páginas,
mais os escritos às margens,
mais as notas de rodapé.

Mas mulher, mesmo sendo desfocada no olhar que vai,
quer que seja focado o olhar que vem.

Entenda.
Mulher enxerga em prosa, mas quer ser vista em poesia.

Não prometeu, mas cumpriu

03/01/2011

Esse ano que acabou, já começou, há um ano atrás, com vontade de acabar – vontade minha, não dele, que durou mais do que os relógios e calendários marcaram, certeza. A felicidade da virada quando ele se iniciou não durou nem dias, e vi meu entusiasmo ruir diante de decepções surgidas tão precocemente em um ano que estava ainda novo em folha. O ano estava novo e eu já estava mais desgastada nele do que um ano velho.  Mas ainda havia um ano todo pela frente, o que poderia ser bom, ou não. E não foi, como o início ruim já havia dado indícios; coisas ruins se seguindo a outras, e parecia que aquele ano definitivamente estava fadado ao fracasso. Como tudo aquilo que tem começo e final, o ano chegou ao seu meio. Meio? Parecia era mesmo o fim – não do ano, mas de tudo para mim. Mas as tantas coisas ruins que pareciam anunciar o fim, me trouxeram justamente o seu contrário. Afinal, quem precisa de Ano Novo para um novo ano? Não dizem que todo fim é a possibilidade de um novo início? Então me apeguei a isso com todas as forças. E no decorrer daquele ano já nascido e crescido torto, fui conhecendo tudo o que poderia haver de bom em tudo que é ruim.

Percebo que aconteceu o que parecia improvável: esse ano que acabou não poderia ter sido melhor. Parece clichê, mas se tantas coisas ruins não tivessem acontecido, eu não as teria superado, e eu não teria conhecido o tamanho da minha força, minha desconhecida até então. Eu não seria quem eu sou hoje, uma pessoa absurdamente diferente daquela que era no início do ano, eu não teria mudado para melhor, eu não teria alçado vôos tão importantes. Eu não saberia que o valor da amizade e da família era muito maior do que eu supunha, pois se não tivesse precisado tanto desse valor, eu não teria tido tantas provas e talvez não estaria agora segura de que ele estaria sempre perto de mim, a meu favor. Eu não teria crescido na maturidade, conhecendo lados tão ruins das pessoas; eu não teria crescido no amor, conhecendo lados tão bons.

Esse ano tinha tudo para ser o pior de todos, e parecia não prometer coisa alguma de bom. E não prometeu, de fato. Mas cumpriu. Isso que importa. Cumpriu além de qualquer expectativa. Nem um segundo sequer de seus dias me parece ter existido em vão; cada palavra lida, dita, ouvida, cada conhecido ou desconhecido, nada em vão. Obrigada a tudo e todos que fizeram com que esse ano que passou tenha sido um presente para mim: vocês também foram presentes, mesmo que não saibam ou não tenham percebido. E graças a presentes tão preciosos, pude receber o maior de todos, aquele que eu mais ansiava: esse ano deu eu mesma, a mim, de presente.

Escolher, querer, poder, conseguir

28/07/2010

Às vezes é necessário escolher. E eu escolhi querer e não querer. Escolher querer fazer e não querer fazer, vai além de escolher fazer e não fazer: vai ao âmago da ação, em sua motivação primeira. E é lá que se encontram as minhas atuais decisões… Até porque percebi que muitas vezes o que me atravancava não eram tanto as minhas ações, mas as minhas vontades. Não escolhi não ter medo: acima de tudo, escolhi não querer ter medo, seja de enterrar elementos do passado ou de trazer à tona elementos do futuro. Escolhi não querer fugir da tristeza, mas vivê-la da forma mais autêntica quanto for possível para mim; escolhi não querer que ela dure. Escolhi não querer fugir da alegria, mas vivê-la da forma mais autêntica quanto for possível para mim; escolhi querer que ela dure. Escolhi não querer esquecer, pois esquecer poderia fazer com que eu repetisse antigos erros; escolhi querer aprender com eles. Escolhi não querer fingir para sofrer menos, mas pensar em cada coisa em cada instante, para que não haja traumas por uma  consciência que se toma tardiamente. Escolhi querer sofrer tudo o que há para se sofrer, mas da maneira mais correta, para que eu mereça que passe logo. Escolhi não querer fechar as portas, e nem me fechar por trás delas. Escolhi não querer considerar o que foi visto de mim, mas o que pode ser visto de mim; escolhi querer acreditar mais nos meus olhos, do que em outros. Escolhi não querer fingir que eu não estou certa. Escolhi querer ser completa, mais do que completada. Escolhi querer gostar do que eu gosto, querer acreditar no que eu acredito, querer viver o que eu tenho. Escolhi querer que certas coisas morram em mim, para que outras possam renascer; escolhi não querer ter receio disso. Sou re-nata até no nome, por isso posso re-nascer quantas vezes quiser – escolhi querer.

Escolhi querer superar qualquer coisa enfrentando, com coragem – e não do modo mais covarde e mais fácil – , para superar de verdade.

Espero que escolher querer, seja querer; espero que querer, seja poder – e conseguir.

Estes olhos não são meus…

04/07/2010

Estes olhos não são meus…

Ou são,

e eu que não percebi,

entre aqueles e estes,

o efeito transmutador.

Tento olhar bem no fundo.

Fuço, tentando reencontrar os de outrora…

Mas desisto.

Fito o espelho com uma intolerante resignação

E aceito minha condição

– tão paradoxalmente forçada e humilde –

com olhos inundados,

olhos de quem foi, e não é mais.

Desconstrução em “um dia de maio ou abril”, ou qualquer dia, ou todos os dias…

08/04/2010

Só sei que existem tempos em que vários tipos de pequenos grandes desmoronamentos acontecem diariamente, e nos levam a desabar com eles. Não vou falar em destruição das vontades, dos planos e das esperanças; é pior: é a desconstrução disso tudo. Conseguem perceber a diferença do engenho que a desconstrução traz com a sua lentidão e exímio cálculo? A destruição é arrasadora e deixa um vazio para a construção de algo novo. A desconstrução, não. Ela é cruel, ela tira pedaços exatos, vai deixando restos incompletos.

“Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente…
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça…
Um dia qualquer sem pensar,
Sentindo o futuro no ar
O ar carregado, sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma:
Por que nesta tarde tão calma
O tempo parece parado?”

Quem falou que um mundo só acaba quando devastado? Na verdade, ele pode se acabar “sem fogo, sem sangue, sem ais”…  “sem estrondo, mas com gemido”. Sem o estrondo da devastação, mas com a dura fineza da desconstrução. Ninguém percebe. O  fim de um mundo pode ser todo dia.

“Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro
Dos loucos que escrevem no muro
Das teias, do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto
A chama da guerra acesa
A fome sentada na mesa
O copo com álcool no bar
O anjo surgindo no mar
Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolos do Apocalipse
Os séculos de Nostradamus
A fuga geral dos ciganos
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia…

Um gosto azedo na boca
A moça que sonha, a louca
O homem que quer mas esquece
O mundo do dá ou do desce
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia

Sem fogo, sem sangue, sem ais
O mundo dos nossos ancestrais
Acaba sem guerra, os mortais
Sem glórias de mártir ferido
Sem estrondo mas com gemido…
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Um dia…”

[Os trechos entre aspas são da música As Profecias, do Raul Seixas. Perfeição… Principalmente em um dia como esse, um dia de abril, de chuva caindo na vidraça…]