Estes olhos não são meus…
04/07/2010
Estes olhos não são meus…
Ou são,
e eu que não percebi,
entre aqueles e estes,
o efeito transmutador.
Tento olhar bem no fundo.
Fuço, tentando reencontrar os de outrora…
Mas desisto.
Fito o espelho com uma intolerante resignação
E aceito minha condição
- tão paradoxalmente forçada e humilde -
com olhos inundados,
olhos de quem foi, e não é mais.
2 Comentários
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Oi, Renata! Acho que nós fazíamos EL I juntas, se eu não estou confundindo as pessoas (você era da turma da Olga?)
Ah, a Stela é uma fofa-linda! Ela sempre me entende e me ajuda a não fazer (tantas) bobagens sem pensar!
Quanto à carta, muita gente disse que se reconheceu nele… Me fez bem saber disso, porque escrevi de verdade a carta, num momento meio complicado, e pretendia mesmo entregá-la – mas o destinatário resolveu mentir e acabar com as coisas bonitas que restariam da pior forma possível… Ah, acho que é bom se sentir ‘compreendida’ pelas outras pessoas, dá uma sensação de não estar sozinha! Aliás, sempre que alguém parece sentir o mesmo que nós fica uma sensação de que a nossa sanidade continua aqui, intacta, não é?
(Sei que a gente não se ‘conhece’, mas se você precisar conversar sobre esse ‘momento adeus’, pode contar, tá? É bom falar/escrever para quem não sabe da história toda – pra mim faz efeito, pelo menos!)
Esse poema me lembrou Ana Cristina! E me lembrou dos poemas do Armando Freitas Filho depois que ela morreu (ele ficou com uma coisa presa aos olhos dela, lindo demais!).
Confesso que fiquei com uma invejinha – queria muito escrever poesia, mas não sai um verso sequer, por mais que eu tente! =]
beeijos, moça, se cuida!
Nossa, sensacional. “os olhos de quem foi, e não é mais” é simplesmente genial.
Gostei, deveria explorar mais a arte poética.